O LADO BOM DA VIDA, DE MATTHEW QUICK.

O lado bom da vida, de Matthew Quick

Ficha técnica:

Título: O lado bom da vida

Autor: Matthew Quick

ISBN: 978.85.8057.277.3

Editora: Intrínseca

Ano: 2012

Páginas: 254

Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele ‘lugar ruim’, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um ‘tempo separados’. Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

Para quem tem interesse em ler o livro, a primeira coisa a se considerar é que a história tem um narrador-personagem que tem problemas psicológicos. E ficar atento a isso faz toda a diferença na leitura e na interpretação do enredo. Conforme consta na sinopse, Pat acaba de ter alta de uma instituição psiquiátrica na qual passou aproximadamente quatro anos (ele não lembra quanto tempo ficou lá). Portanto, vive um momento de esforço de readaptação a um cotidiano “normal”. Sua relação com a família (especialmente com o pai) e amigos é difícil, alguns reencontros e lugares colocam-no em situações desconfortáveis.

Além disso, algumas características dele, bem como da própria narrativa, são decorrência dessas circunstâncias. Pat é repetitivo, tem lapsos de memória, tudo o que ele faz e pensa está de alguma forma relacionado à ex-esposa Nikki e ao seu empenho em acabar com o “tempo separados”. Pat tem verdadeira obsessão por ela. Seus planos, atitudes, pensamentos e até seus medos têm relação com ela. Sem dúvida, é um personagem carismático e cativante, principalmente pelo exercício de gentileza que pratica (“estou praticando ser gentil ao invés de ter razão”).

Ele acredita que sua vida é um filme e que, como tal, tem que ter um final feliz. Como Nikki é professora de literatura, Pat procura ler livros sobre os quais ela dá aulas, e se surpreende quando não se depara com finais felizes.

É nesses momentos, mas também em outros tantos, que se nota o “otimismo” do protagonista. Contrariando a opinião de muitas pessoas de que ele é muito positivo e até idealista, a meu ver esse esforço por buscar sempre o lado bom de tudo, assim como a necessidade de repetir que é preciso ver o lado bom da vida fazem parte de seu quadro clínico. Trata-se de alguém que precisa “se agarrar” às coisas boas para amenizar seu sofrimento.

O ponto alto da história é a relação que Pat constrói com Tiffany, uma garota que também tem problemas psicológicos e que o convida a participar de um concurso de dança. O trecho em que se narra a dança durante o concurso é emocionante, acredito que a melhor parte do livro. A escolha da música que eles dançam no concurso é perfeita, um clássico dos anos oitenta cuja letra casa perfeitamente com a história.

O autor consegue, através de uma narrativa leve e bem-humorada, tratar de forma comovente de um tema profundo e importante: a visão de mundo de uma pessoa com problemas psiquiátricos e a forma como essas pessoas com esses problemas são tratadas pela família, amigos e pela sociedade. Além de contar uma história de superação, é um exercício de empatia, pois é impossível não se colocar no lugar dele na maioria das situações. Estruturado em capítulos curtos, o livro permite uma leitura fluida, é possível concluí-la em um ou dois dias. Em resumo: recomendadíssimo!

Sobre o filme estrelado por Bradley Cooper e Jeniffer Lawrence, é inevitável a comparação: mais um caso em que a transformação em roteiro compromete muito a história, principalmente pela dificuldade em fazer transparecer no filme toda a atividade mental de um narrador-personagem. Além disso, detalhes importantes são alterados: por exemplo, no filme logo de início já se sabe o que aconteceu para que Pat e Nikki estejam separados, o que não acontece no livro, já que esse suspense é mantido até quase o final. O livro é bem melhor que o filme, portanto, leia-o!

Por Liliane Prestes Rodrigues.

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