DONNIE DARKO – DESTRUIÇÃO É UMA FORMA DE CRIAÇÃO

– Por que você usa essa fantasia idiota de coelho?

– Por que  você usa essa fantasia idiota de homem?

 

 

                Para o inicio de tudo, é preciso dizer que sim: eu entendi Donnie Darko. Repetidas sessões do filme, somadas à cuidadosas análises da versão do diretor, por fim lendo o livro aqui resenhado me deram a verdadeira luz do que essa história considerada incompreensível significa. Ou pode significar.

                Eu deixarei essa opinião mais para o fim. Contudo, devo avisá-lo, leitor, que isto não é uma das muitas teorias a cerca do filme. Eu não te bombardearei com descrições detalhadas sobre cenas específicas das quais podem ser a chave para o entendimento total.

                Eu, em minha condição de não-Richard Kelly, o diretor e roteirista de Donnie Darko, farei apenas aquilo que qualquer um nessa mesma condição pode fazer: mostrar que o porquê absoluto, eu sinto dizer, só o próprio Kelly sabe. E, estou bem seguro para afirmar, ele levará esse segredo para o túmulo.

                Donnie Darko foi um filme independente lançado no ano de 2001, escrito e dirigido por Richard Kelly, estrelando Jake Gyllenhaal no papel principal, além das presenças ilustres de Drew Barrymore, Patrick Swayze e Seth Rogen. Com tal elenco, mal se acredita no orçamento mísero de 4,5 milhões de dólares (filmes menos elaborados costumam custar muito mais. Grandes produções podem passar facilmente de cem milhões). Com uma distribuição relativamente fraca, a produção foi ganhando fama através dos anos, principalmente quando a internet começou a se juntar para comentar basicamente a mesma coisa: todos gostaram, mas ninguém realmente entendeu.

                No ano de 2016, quinze anos após o lançamento do filme, a editora Darkside trouxe o roteiro do filme pra o Brasil, adicionando, ainda, entrevistas e páginas do livro A Filosofia da Viagem no Tempo, este que, para quem viu o filme, já está bem familiarizado.

                Contudo, para aqueles que não assistiram, o longa se passa durante as eleições presidenciais de 1988 nos Estados Unidos. O protagonista é Donnie, um adolescente com problemas psicológicos que sofre de sonambulismo e tem uma relação conturbada com seus pais e irmãs, uma delas, inclusive, pronta para ir à faculdade.

                Após uma discussão com sua mãe, Donnie a expulsa do quarto e se prepara para dormir. O que parece ser uma nova crise se inicia, com uma voz chamando o garoto para fora da casa. No entanto, vemos que Donnie está bastante acordado ao encontrar o dono da voz: Frank, um homem com mais de dois metros de altura, vestido com uma fantasia macabra de coelho. E ele diz:

                “28 dias. 06 horas. 42 minutos. 12 segundos. É quando o mundo vai acabar.”

                Poderia ser apenas uma alucinação. Algo que seria totalmente justificado com os problemas mentais do protagonista. Até que, na cena seguinte, uma turbina de avião cai não só no quarto do garoto, mas exatamente sobre a sua cama, matando-o facilmente… Se ele estivesse ali.

                Frank, uma “ilusão” com previsões loucas sobre o fim do mundo, salvou a vida de Donnie Darko.

                Àqueles que nunca deram uma chance ou nunca ouviram sobre, saiba que o filme não traz só uma história complicada e, para muitos, sem sentido. Tornou-se uma espécie de piada falar sobre isso. “É um filme incrível, personagens bons e atuações impecáveis. Adorei. Só tem uma coisa: não entendi nada”.

                Questionamentos filosóficos, religiosos, científicos e morais estão espalhados em todas as cenas. O filme e livro parecem muito mais sobre questionamentos internos comuns na humanidade com uma história sci-fi no fundo.

                E isso me leva ao que prometi no início.

                Nós estamos procurando o porquê errado. As respostas que mais fazem sentido parecem ainda distantes demais da verdade, e a razão para isso é que todas estão certas. Quando não há suspeitos, todos são suspeitos. Quando todos estão certos, todos estão errados.

                Richard Kelly montou esse roteiro querendo várias interpretações. Das religiosas às científicas, das metafóricas às literais, todas se sustentam muito bem, pois foi feito para ser assim.

                Não é sobre traçar o caminho correto. É sobre contar os caminhos que levam ao mesmo lugar.

Por Gabriel Barrozz.

Veja outras resenhas de Gabriel Barros em:

Confissões do crematório – Encontrando vida na morte

CLUBE DA LUTA – VOCÊ NÃO É ESPECIAL

EU, ROBÔ – O QUE É HUMANIDADE?

Acompanhe nossas mídias sociais:

Facebook

Instagram

Youtube

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s