CLUBE DO FILME, DE DAVID GILMOUR.

LIVRO: O Clube do Filme

AUTOR: David Gilmour

ISBN: 978-85-98078-43-4

ANO: 2009

EDITORA: Intrínseca

PÁGINAS: 239

SINOPSE: Eram tempos difíceis para David Gilmour: sem trabalho fixo, com o dinheiro curto e o filho de 15 anos colecionando reprovações em todas as matérias do ensino médio. Diante da desorientação e da infelicidade desse filho-problema, o pai faz uma oferta fora dos padrões: o garoto poderia sair da escola – e ficar sem trabalhar e sem pagar aluguel – desde que assistisse semanalmente a três filmes escolhidos pelo pai. Com essa aposta diferente na recuperação e na formação de um rapaz que está ‘perdido’, formaram o clube do filme. Semana a semana, lado a lado, pai e filho viam e discutiam o melhor (e, ocasionalmente, o pior) do cinema: de A Doce Vida (o clássico de Federico Fellini) a Instinto Selvagem (o thriller sensual estrelado por Sharon Stone); de Os Reis do Iê, Iê, Iê (hit cinematográfico da Beatlemania) a O Iluminado (interpretação primorosa de Jack Nicholson, dirigido por Stanley Kubrick); de O Poderoso Chefão (um dos integrantes das listas de ‘melhores filmes de todos os tempos’) a Amores Expressos (cult romântico e contemporâneo do chinês Wong Kar-Way). Essas sessões os mantinham em constante diálogo – sobre mulheres, música, dor de cotovelo, trabalho, drogas, amor, amizade -, e abriam as portas para o universo interior do adolescente, num momento em que os pais geralmente as encontram fechadas. David Gilmour, crítico de cinema e escritor premiado, oferece uma percepção singular sobre filmes, roteiros, diretores e atores inesquecíveis ao relatar essa vivência com olho clínico e muita sinceridade. O autor emociona ao colocar os leitores diante da descoberta da vida adulta pelos olhos de um jovem e dos dilemas da adolescência administrados por um pai muito presente. Nas palavras de Gilmour: ‘É um exemplo do que o cinema é capaz, de como os filmes podem vencer suas defesas e realmente atingir seu coração.’

“E se eu estiver errado?” Não há pai/mãe que, em algum momento do desenvolvimento de seu filho, não tenha se feito essa pergunta.

Criar um filho é, sem dúvida, o tipo de responsabilidade que leva você a se questionar (e em muitos casos até mesmo a duvidar de si). Essa é a essência do relato feito pelo crítico de cinema David Gilmour no livro O Clube do Filme.

Publicado no Brasil em 2009, é um relato franco e sensível sobre o que aconteceu com David e seu filho Jesse quando este tinha 15 anos. Sem perceber qual era o sentido da educação formal, Jesse estava completamente entediado com a escola, o que estava lhe levando a ter notas cada vez mais baixas. Naquela época, Jesse era um garoto doce, sonhador e um pouco orgulhoso, que não se interessava pelos estudos, nem por leituras e muito menos por esportes. Ele parecia gostar de basicamente duas coisas: garotas e filmes.

Aos 50 anos, David estava passando por um momento de crise na carreira. Como pai, ele sentia-se muitas vezes perdido, sem saber o que fazer, qual a melhor forma de conduzir a educação do filho. “O que eu posso propor a ele que não seja uma repetição do desastre escolar?”, ele se perguntava. Certo dia, percebendo a dificuldade do filho em se manter atento a uma atividade extraclasse, David lhe faz uma proposta ousada: “Quero que pense se quer continuar indo à escola”. A resposta de Jesse é imediata. Porém, o pai não levou a sério essa resposta, obrigando-o a pensar um pouco mais e também impondo duas condições: Jesse estaria proibido de ter qualquer tipo de envolvimento com drogas, e os dois teriam que assistir juntos a três filmes por semana.

Então, o pai passa a apresentar ao filho uma sequência de filmes escolhido a dedo com o objetivo de que Jesse não só se distraia, mas reflita sobre a vida, sobre suas escolhas e as consequências disso para seu futuro. E a lista de filmes é um dos pontos fortes do livro, pois contém desde filmes muito populares até clássicos cult conhecidos de poucos. À medida que a leitura avança, o leitor tem vontade de também assistir aos filmes, inclusive aqueles a que já assistiu, pois cada novo capítulo traz informações curiosas e importantes sobre atores, diretores, contextos de gravação e até mesmos conceitos de cinema. É um prato cheio para os amantes da sétima arte!

Essa experiência, que dura 3 anos, leva a relação entre pai e filho a outro nível. Com uma linguagem simples, a leitura flui enquanto o leitor “assiste” a uma relação construída com base em respeito, amor, confiança, amizade, crescimento e, acima de tudo, no reconhecimento de que cada pessoa tem suas limitações e de que é preciso aprender com os erros. Essa é uma história emocionante, uma experiência que se mostrou mais rica do que qualquer tipo de educação escolar poderia ser. Ao final de tudo, fica claro que o pai fez escolhas corajosas ao ser pró-ativo de uma forma tão peculiar no crescimento e amadurecimento do filho.

Por Liliane Prestes Rodrigues.

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