TRÊS LIVROS SOBRE CRIANÇAS EM CENÁRIO DE GUERRA.

Muitos autores se valem do ponto de vista infantil para contar suas histórias. Quando o assunto é a Segunda Guerra Mundial, um evento tão marcante e com tamanhas consequências  para a história da humanidade, usar esse ponto de vista permite trazer um olhar diferente para questões tão delicadas.

Confira três dicas de leitura que a Livreria separou para você, que são ambientadas no período da Segunda Guerra mundial.

Título: A Menina que Roubava Livros

Autor: Markus Zusak

ISBN: 978-85-8057-451-7

Editora: Intrínseca

Ano: 2013

Páginas: 478

“Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.” (Contracapa)

A frase acima é um convite irresistível à leitura de A menina que roubava livros, já que a narradora é a Morte, a “dama implacável”. Logo, com sua visão única e peculiar da vida, ela nos conduz para dentro deste romance com maestria.

A narrativa começa com o estouro da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha. O “Inevitável” nos conta a história de Liesel Meminger a partir de seu primeiro encontro com ela (no total de três entre 1939 e 1943), quando a narradora veio buscar seu irmão para sua última viagem. Já no enterro, Liesel comete seu primeiro delito em relação aos livros, quando o rapaz que tapava o túmulo do irmão deixa cair O manual do coveiro.

Abandonada pela mãe que fugiu com medo de sofrer retaliações por ser comunista, a menina acaba em Molching; e é adotada por Hans (um pintor desempregado, um homem pacato e com um pensamento diferente do qual era dominante na época) e Rosa Hubermann (que lavava roupa de outras famílias para garantir um parco sustento a sua família enquanto alardeava sua rabugice para todos).

Tendo pesadelos constantes e tentando se adaptar a nova vida, a protagonista começa a fazer uma amizade com Rudy Steiner, um dos seis filhos da casa ao lado, possuidor de uma fama meio constrangedora, decretada por certo fato ocorrido num passado não tão distante, mas que, em vez de afastar, aproxima os dois, já que Liesel também começa sua trajetória escolar de maneira nada agradável, sendo zombada pelos colegas por não saber ler.

A vida corria na sua normalidade para os Hubermann até a chegada de Max Vandenburg, solicitando ajuda em um momento crucial da História na Alemanha de Hitler, já que havia cometido um crime capital: era judeu.

A Morte nos revela como os destinos destes e de outros personagens acabam entrelaçados de forma alheia as suas vontades, tendo por força maior um momento histórico no qual pensar diferente da ideologia dominante, representada pelo livro Mein Kampf, não era apenas errado. Era proibido e mortal. Isto é bem ilustrado pela narradora quando faz a seguinte afirmação:

Provavelmente, é lícito dizer que em todos os anos do império de Hitler nenhuma pessoa pôde servir ao Führer com tanta lealdade quanto eu. (p. 426)

Com uma narrativa diferenciada, dando alguns saltos interessantes no tempo dos acontecimentos, Markus Zusak nos presenteia com uma história contada pela Morte. Mas, sendo esta última um fato da vida, esta é, na verdade, uma história da vida… E para a vida.

Título: A guerra que salvou a minha vida

Autor: Kimberly Brubaker Bradley

ISBN: 978-85-9454-026-3

Editora: DarkSide Books

Ano: 2017

Páginas: 240

Imagine se alguém consegue ver algo de positivo na Segunda Guerra Mundial? Difícil, né? Pois essa é a perspectiva adotada em A guerra que salvou minha vida.

Essa é a história protagonizada por Ada, uma menina de aproximadamente dez anos e que, devido a uma deformidade em pé, leva uma vida extremamente limitada. Ela vive nos subúrbios de Londres com a mãe e o irmão menor Jamie. A mãe se mostra uma mulher agressiva e intolerante, proibindo a filha de sair de casa e na maioria das vezes humilhando a menina. O irmão menor é o companheiro que lhe conta coisas sobre o mundo e que, ao mesmo tempo, precisa dos cuidados de Ada, já que em muitas situações a mãe está ausente.

Diante da iminência de ataques a Londres, o governo decide enviar as crianças para o interior do país. Ada vê nisso a oportunidade de fugir daquela vida tão sofrida e o faz com a ajuda do irmão. Eles embarcam em um trem, sem saber ao certo para onde vão. Quando chegam ao seu destino, são encaminhados para a casa de Susan Smith, que não sem protestar se torna responsável pelas duas crianças. Susan é uma mulher que vive sozinha e que sofre pela morte de uma amiga com quem morava.

A partir daí começa um período de adaptação, tanto para Susan quanto para Jamie e Ada. Susan faz tudo o que está ao seu alcance para que ambos se sintam bem cuidados e acolhidos, mas tem de lidar com muitas dificuldades. Jamie, que tem cerca de seis anos, volta a fazer xixi na cama e chora de saudades de casa. Ada é teimosa, turrona, sente vergonha de sua condição, de sua deformidade, desconfia de tudo e de todos.

A maior parte da narrativa mostra a construção da relação de Susan e Ada e, talvez principalmente, a mudança na visão de mundo de Ada, que vai aprender o que é amor, o que é carinho, o que é confiança, o que é família. Também se percebe que Ada vive muitas “guerras” e que a Segunda Guerra Mundial foi o evento histórico que permitiu enfrentá-las.

Em uma edição primorosa, com um lindo trabalho gráfico da Editora Darkside, o livro trata com delicadeza de temas profundos.

Título: O menino do pijama listrado

Autor: John Boyne

ISBN: 9788535923063

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2013

Páginas: 186

“(…) e era o fato de todos eles – os meninos pequenos, os meninos grandes, os pais, os avôs, os tios, as pessoas que parecem que vivem sozinhas nas ruas da vida e não parecem ter parentes – usavam as mesmas roupas: um conjunto de pijama cinza listrado com um boné cinza listrado na cabeça.” (p. 40)

A história é contada sob o ponto de vista de Bruno, um menino de nove anos que se viu obrigado deixar sua casa, seus amigos, seus avós em Berlim, por conta do trabalho de seu pai,  que ele não sabia muito bem qual era, só sabia que era um trabalho muito importante.

Assim, Bruno, juntamente com sua mãe Elsa, seu pai Ralf (comandante do exército alemão) e sua irmã de 12 anos, Gretel, a qual se referia como um Caso Perdido, mudam-se para Haja-Vista, que tinha, na visão de Bruno, uma casa pequena, sem atrativos para uma criança de sua idade e, o pior de tudo, sem um corrimão sempre bem lustrado, por onde ele pudesse escorregar em alta velocidade.

O garoto sempre foi um explorador e, na tentativa de encontrar algo interessante para fazer em Haja-Vista, ele começa a sua exploração pela casa. Cada canto, cada andar, cada cômodo é muito bem analisado pelo menino, que nada encontra de tão extraordinário assim.

No seu quarto existe uma janela. Apenas uma. Ao olhar através dela, Bruno avista o que acha ser uma fazenda, pelo fato de estar cercada e ter pessoas trabalhando nela. Porém, o menino não entende o porquê de todas as pessoas, independente da idade e grau de parentesco, andarem o dia todo de pijamas.

Continuando sua exploração, Bruno resolve ir ao pátio dos fundos, mesmo seus pais já o terem o proibido de ultrapassar o portão que separava o pátio da frente do dos fundos. Naquele momento Bruno descobre uma floresta e não perde tempo, sai desbravando todo o lugar.

Sem ter amigos pra conversar e sem poder frequentar a escola, Bruno sai para a sua exploração diariamente, logo após suas aulas com um professor, contratado por seu pai, para dar aulas para ele e sua irmã em casa.

Durante suas andanças Bruno chega ao limite entre a floresta e a cerca da “fazenda”, onde encontra, sentado do outro lado, um garoto chamado Shmuel, por coincidência nascido no mesmo dia que Bruno e que tinha a mesma idade que ele.

É nesse ponto da história vemos a inocência das crianças. A ingenuidade ao perceberem que existem diferenças entre eles, mas não sabem explicar porque não podem brincar.

A amizade entre os garotos se torna tão forte ao ponto dos garotos iniciarem uma exploração juntos. Duas crianças brincando em meio aos horrores da Segunda Guerra Mundial.

O final é comovente, digno de filme e foi adaptado para o cinema em 2008.

Por Liliane Rodrigues.

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