BOM DIA, VERÔNICA – UMA REVELAÇÃO QUE NÃO PODE SER REVELADA

               Era o primeiro dia do fim da minha vida. Claro que eu não sabia disso quando abri os olhos pela manhã e vi que estava atrasada.

                Se tem algo que me traz um sorriso ao rosto, é a valorização que a Darkside Books vem dando à literatura brasileira. Inicialmente famosa por publicar livros de terror e adaptações escritas de filmes, a editora está apostando regularmente em novos escritores nacionais e, em minha humilde opinião, Andrea Killmore foi um dos tiros mais certeiros… Mesmo que ninguém lá dentro soubesse onde mirar.

                Tão misteriosa quanto seu próprio livro, a autora nunca fez aparições públicas em eventos. O nome com aparência americana que vemos na capa é falso. No site da Darkside, a editora conta que nem mesmo o seu pessoal sabe quem é Andrea, uma vez que todas as conferências foram feitas através do seu advogado. Tudo que sabemos é que Killmore é uma ex-policial que sofreu uma grande perda em sua vida, e que isso a forçou a mudar sua identidade. Com base nisso, acredita-se que Bom Dia, Verônica é um romance semi-autobiográfico, o que torna sua história muita mais intensa.

                Logo no primeiro capítulo, somos apresentados à protagonista, Verônica, e sua rotina como secretária da Polícia Civil do Estado de São Paulo. São poucas páginas, mas, dali, já podemos julgar que tipo de mulher é Verônica: forte, um tanto ranzinza, um pouco vaidosa e, claramente, um tanto apática em relação aos colegas e superiores à sua volta.

                O que parece ser mais uma segunda-feira monótona acaba por tomar um rumo trágico quando uma mulher de comportamento e aparência estranha aparece na delegacia. Ela parece triste, como se chorasse o tempo inteiro, e sua boca possui terríveis feridas pustulentas. Ela diz querer fazer uma denúncia, Verônica a direciona para a sala do chefe do local, então deixando seu posto na recepção por um momento. Quando volta, a mulher está na janela. Após dizer “Agora ele vai ser capaz de me amar”, a mulher salta.

                 E é então que o livro começa verdadeiramente. Nós acompanhamos Verônica investigando independentemente este caso, uma vez que a polícia parece ignorá-lo, enquanto também precisa lidar com uma vida familiar um tanto conturbada e uma outra investigação, envolvendo um serial killer e estuprador que atua há anos e nunca foi pego.

                A escrita de Killmore é a melhor parte deste livro. Eu sinto que esta mulher poderia escrever uma receite de bolo que eu leria com muito prazer (e mais de uma vez). É tudo muito rápido, porém nada complicado. Em nenhum momento me senti perdido ou desorientado durante a história, e os comentários sarcásticos e frios de Verônica imediatamente me fisgaram.

                Se Um Estudo Em Vermelho fosse narrado da perspectiva de Holmes, provavelmente estes livros pareceriam pertencentes a mesma pessoa.

                Houve certos acontecimentos no decorrer da história que eu pensei serem forçados e/ou desnecessários, mas nada disso tira o brilho (e escuridão) que este livro possui. Ajuda muito também, no quesito de identificação, o fato de Verônica estar bem longe de uma heroína perfeita e sem falhas. Como qualquer humano, ela comete erros (alguns bem estúpidos), e às vezes deixa um tanto implícito que, talvez, pouco se importe com que morreu em sua frente, e que o mistério a atrai muito mais do que lhe trazer justiça.

                Killmore, definitivamente, possui talento, e eu com certeza comprarei seus próximos livros.

Por Gabriel Barrozz.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s