FLIP 2018: MELHORES MOMENTOS E LISTA DOS MAIS VENDIDOS.

A Flip 2018 aconteceu entre os dias 25 e 29 de julho.

Desde 2003, a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, oferece todos os anos uma experiência única, permeada pela literatura. Sempre em conexão com a cidade que a recebe, a festa é mais do que um evento, é uma manifestação cultural. Promovendo uma interlocução permanente entre as artes, propaga vivências focadas sobretudo na diversidade.

A homenageada da Flip 2018 foi Hilda Hilst (1930 – 2004), escritora brasileira que publicou poesia, ficção, teatro e crônica, tendo construído uma obra singular em língua portuguesa na segunda metade do século 20 em torno de temas como amor, sexo, morte, Deus, a afinidade das coisas e a transcendência da alma.

Já na abertura, trechos dos textos da escritora foram lidos pela atriz Fernanda Montenegro, sob aplausos e muita emoção.

Dentre os presentes nesta 16° edição, estavam: Djamila Ribeiro, Leila Slimani, Geovani Martins, Liudmila Petruchévskaia, Isabela Figueiredo, Jocy de Oliveira, André Aciman, Vasco Pimetel, Zeca Baleiro, entre outros.

MESA FLIP

No dia 26, quinta-feira, a mesa “Amada vida” foi a mais aplaudida. Tanto na apresentação de abertura de Bell Puã, quanto em momentos das falas de Djamila Ribeiro e Selva Almada, o público, que lotou o Auditório da Matriz e o do Auditório da Praça, aplaudiu de pé, um sinal de que as falas das convidadas – que tocaram em assuntos como o conservadorismo branco, racismo, feminicídio e as dificuldades de ser uma mulher negra – repercutiram na plateia.

Ambas as escritoras destacaram a importância de que o feminismo seja compreendido de maneira ampla e múltipla, já que o movimento feminista tradicionalmente volta a atenção para as mulheres brancas, de classe média e universitárias. Djamila alertou para a necessidade de se pensar em ações específicas de mulheres negras, a Almada sobre como as mulheres pobres e aborígenes da Argentina também tiveram um olhar atencioso sobre suas questões.

“O feminismo não é um movimento feminino, é um movimento social”, finalizou Djamila.

Na lista dos livros mais vendidos, os primeiros colocados são os títulos dos autores presentes na festa. Confira abaixo a lista dos 10 livros mais vendidos na Flip 2018:

  1. “Júbilo, memória, noviciado e paixão” (Companhia das Letras), de Hilda Hilst.

Júbilo, memória, noviciado e paixão

Sinopse: Por meio dos poemas de Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão, obra publicada em 1974, Hilda Hilst alcança a maturidade poética, deixando de ser uma mulher, que por sua rara beleza e comportamento avançado, era mais interessante do que sua literatura. Nesta obra, Hilda Hilst consegue, por fim, obter o equilíbrio entre a ideia e sua expressão, através da espontaneidade da sintaxe e de um vocabulário desconcertante.

É a própria autora que relata um fato bastante jocoso relacionado a esta obra. Logo após sua publicação, Hilda se encontra com Carlos Drummond de Andrade e este, superando sua renitente timidez, disse: “Você não dormiu com essa cara, não é? Os poemas estão tão bons que eu sei que você não dormiu com ele.” “É verdade”, respondeu Hilda.

A respeito de Hilda Hilst e de sua obra muito se disse. O Próprio Drummond, em 1952, dedicou-lhe um poema, em que, entre outros versos, diz: “Então Hilda, que é sab(ilda) / Manda sua arma secreta: / Um beijo em morse ao poeta.” Já Leo Gilson Ribeiro, importante crítico literário, que considera a autora o maior escritor vivo em língua portuguesa, afirmou: “A literatura, o estilo, a atemporalidade dos textos são um subproduto quase acidental, inconsciente, de uma busca mística, panteísta, de um indevassável e por isso mesmo instigante e ameaçador: decifra-me ou eu te devoro.” Para o escritor Caio Fernando de Abreu, já falecido, Hilda Hilst é o nome mais controvertido da literatura brasileira contemporânea.

  1. “O que é lugar de fala?” (Letramento), de Djamila Ribeiro.

O que é ligar da fala

Sinopse: Muito tem se falado ultimamente sobre o conceito de lugar de fala e muitas polêmicas acerca do tema têm surgido. Fazendo o questionamento de quem tem direito à voz numa sociedade que tem como norma a branquitude, masculinidade e heterossexualidade, o conceito se faz importante para desestabilizar as normas vigentes e trazer a importância de se pensar no rompimento de uma voz única com o objetivo de propiciar uma multiplicidade de vozes. Partindo de obras de feministas negras como Patricia Hill Collins, Grada Kilomba, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro, o livro aborda, pela perspectiva do feminismo negro, a urgência pela quebra dos silêncios instituídos explicando didaticamente o que é conceito ao mesmo tempo em que traz ao conhecimento do público produções intelectuais de mulheres negras ao longo da história.

Em Aprendendo com o outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro, Patricia Hill Collins fala da importância das mulheres negras fazerem um uso criativo do lugar de marginalidade que ocupam na sociedade a fim de desenvolverem teorias e pensamentos que reflitam diferentes olhares e perspectivas.

Pensar outros lugares de fala passa pela importância de se trazer outras perspectivas que rompam com a história única.

  1. “Quem tem medo do feminismo negro?” (Companhia das Letras), de Djamila Ribeiro.

Quem tem medo do feminismo negro

Sinopse: Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista Carta Capital , entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.

Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.”

  1. “Canção de ninar” (Tusquets), de Leïla Slimani.

Canção de ninar

Sinopse: Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos de classe e entre culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês. “A tensão latente em cada página aquece aos poucos a análise da burguesia, até ser dinamitada por um impulso de violência instintiva.” Stéphanie Dupays e Eric Loret, Le Monde.

  1. “O sol na cabeça” (Companhia das Letras), de Geovani Martins.

O sol na cabeça

Sinopse: Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo. Nos treze contos de O sol na cabeça, deparamos com a infância e a adolescência de moradores de favelas – o prazer dos banhos de mar, das brincadeiras de rua, das paqueras e dos baseados –, moduladas pela violência e pela discriminação racial.
Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes, sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.
“Geovani pula da oralidade mais rasgada para o português canônico como quem respira. Uma nova língua brasileira chega à literatura com força inédita.” — João Moreira Salles
“Fiquei chapado.” — Chico Buarque

  1. “De amor tenho vivido – 50 poemas” (Companhia das Letras), de Hilda Hilst.

De amor tenho tenho vivido

Sinopse: Nesta breve coletânea, ilustrada pela artista Ana Prata, o leitor vai conhecer as muitas faces da poeta que se dedicou ao amor com total devoção. Do primeiro livro de poesia, Presságio, de 1950, até o último, Cantares do sem nome e de partidas, de 1995, o amor atravessa toda a produção poética de Hilda Hilst. Em constante diálogo com a tradição de odes, trovas e cantares, os poemas tematizam o amor em suas múltiplas formas: a entrega ao amado, o desejo ardente, a expectativa pelo encontro, o medo da despedida. Com vasto repertório de imagens, Hilda cria um universo admirável composto por terra, árvores, cascas, frutas, raízes, plantas, flores. “Deitamos a semente/ e ficamos à espera de um verão”, escreve. Os pássaros também pousam com frequência nos versos, com suas asas que nem sempre simbolizam a liberdade: há asas de fogo, de espanto, mas há também asas de ferro, asas arrancadas. Há, sobretudo, a vontade urgente de ser lida, compreendida, olhada outra vez: “Me fizeram de pedra/ quando eu queria/ ser feita de amor”.

  1. “Poesia que transforma” (Sextante), de Bráulio Bessa.

Poesia que transforma

Sinopse: Este livro é uma homenagem à poesia e a tudo o que ela é capaz de proporcionar. Com mais de 30 de seus emocionantes poemas, alguns deles inéditos, Bráulio Bessa nos conta um pouco das histórias do menino de Alto Santo, no interior do Ceará, que se tornou poeta e ativista cultural.

Desde o primeiro encontro com a obra de Patativa do Assaré, aos 14 anos, até a fama na televisão, ele mostra como a poesia transformou sua vida.

Com ilustrações do artista baiano Elano Passos, o livro traz ainda depoimentos de fãs de todos os cantos do Brasil, revelando como as palavras de Bráulio são capazes de inspirar pequenas e grandes mudanças.

  1. “Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha – Histórias e contos de fadas assustadores” (Companhia das Letrras), de Liudmila Petruchévskaia.

Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha

Sinopse: Liudmila Petruchévskaia pertence ao grupo de escritores que não encontram equivalente em nenhum outro autor, tradição ou país. Considerada por alguns herdeira de Allan Poe e Gogol, a maior autora russa viva combina o contexto soviético em que produziu grande parte de sua obra com uma realidade povoada por assombrações, pesadelos, acontecimentos macabros e personagens sinistras. O resultado são história sobrenaturais que retomam a tradição dos contos folclóricos, porém dotadas de um humor contemporâneo e de uma carga política que não precisa se expressar diretamente para existir, pois, assim como não é à toa que a autora teve sua obra banida da União Soviética até o final dos anos 1990, tampouco é por acaso que ela recebeu em 2002 o prêmio de maior prestígio na Rússia pelo conjunto de sua obra.

  1. “Memórias de porco-espinho” (Malê), de Alain Mabanckou.

Memórias de Porco-espinho

Sinopse: Em Memórias de porco-espinho, Alain Mabanckou revisita, com amor e ironia, uma série de lugares fundadores da literatura e cultura africana.  Parodia livremente uma lenda popular de que todo ser humano possui seu duplo animal, que nesta narrativa é um porco-espinho surpreendente. O pequeno animal, filósofo e malicioso, executa os macabros desejos de seu mestre e realiza uma série de assassinatos.  Mabanckou revela que, apesar de o romance ter sido escrito em francês, o ritmo da narrativa advém das línguas orais africanas, faladas no Congo, o que transparece na construção da história.

  1. “Pornô chic” (Casa Europa), de Hilda Hilst.

Porno chic

Sinopse: Edição ilustrada reúne os quatro livros obscenos da poeta, incluindo um texto inédito e crítica de Humberto Werneck, Alcir Pécora, João Adolfo Hansen, Jorge Coli, Eliane Robert de Moraes e entrevista a Caio Fernando Abreu.
Em 1990, Hilda Hilst completava 60 anos, 40 deles dedicados à literatura. Insatisfeita com a publicação de seus livros em pequenas tiragens, o silêncio da crítica e a repercussão restrita, a poeta decidiu escrever “Adoráveis Bandalheiras”. A experiência deu origem à Trilogia Obscena formada por “O caderno rosa de Lori Lamby”, “Contos d’escárnio – textos grotescos”, “Cartas de um sedutor” e ao livro de poemas “Bufólicas”.
“Pornô Chic” reúne os quatro títulos, totalmente ilustrados, e o inédito “Fragmento Pornográfico Rurale Fortuna Crítica” que aborda a polêmica fase erótica de Hilst.
“O caderno rosa de Lori Lamby” e “Bufólicas” recuperam as ilustrações de Millôr Fernandes e Jaguar para as primeiras edições. Para ilustrar ”Contos d’escárnio” e “Cartas de um Sedutor” foram convidadas Laura Teixeira e Veridiana Scarpelli, que apresentaram uma abordagem contemporânea ao pornô de Hilst. Considerados pela autora uma “experiência radical e divertida”, estes livros misturam humor, críticas à sociedade, todo tipo de práticas sexuais e referências a autores célebres pelo erotismo como Henry Miller e Georges Bataille. A leitura de Pornô Chic revela o quanto Hilst pode ser irônica, debochada e divertida sem perder o refinamento.

Confira no link abaixo, algumas indicações de livros que os leitores adquiriram na festa.

https://blog.estantevirtual.com.br/2018/07/28/indicacoes-de-livros-na-flip-2018/.

Por Equipe Livreria.

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